Fotoroubêixan: ink incomplete
Então um belo dia eu resolvo contemplar minha vasta biblioteca no last.fm orgulhosa do repertório que acumulo desde Outubro de 2006.
Não sei como eu pude não ter percebido por tanto tempo: várias execuções do álbum NeRvermind do Nirvana. Era a coisa mais estúpida que tinha feito até resolver apagar o álbum NeRvermind, e, por conseqüencia, apagar 227 plays dessa banda que formou meu caráter.
Nirvana formou meu caráter.
Minha vó mandava eu lavar a louça e eu respondia "E o Nirvana mandou?".
Nirvana absolutamente formou meu caráter.
E agora vejo o Nirvana atrás de Radiohead, Sonic Youth, Smashing Pumpkins e Queens of the Stone Age. Bandas que eu só conheci por causa do Nirvana. É a coisa mais triste.
Eu sei que eu deveria pouco me foder, porque tanto faz nervermind... nirvarna... vamos todos morrer mesmo.
Mas fato é que resolvi ouvir Nevermind até bater 1171 plays neste fim de semana. Ponderei:
Eu gosto de Nirvana, eles formaram meu caráter, eles sempre estiveram lá comigo, inclusive naquele agosto de 2002, quando passei uma noite em claro, chorando e com medo do monstro que eu poderia ser no futuro, mas eu ouço as músicas deles desde 2001!
Ouvir um único álbum mais de 50 vezes não poderia ser um saco?
Não. Aliás, faz tanto tempo que eu não ouvia, que está sendo a coisa mais pertinente que fiz em termos musicais desde o dia 1º deste ano.
Top 5 coisas pertinentes que fiz em termos musicais desde o dia 1º deste ano: 5. Não ter torcido o nariz para o filme das Runaways, só porque é com as cabritinhas do Crepúsculo; 4. Defender Foo Fighters até as últimas White Limos, mesmo num ambiente hostil a eles e a mim; 3. Ter esperado ansiosamente pelo novo da PJ Harvey; 2. Não dar bola para o último do Radiohead; 1. Ouvir as músicas do Nevermind umas 350 vezes.
Não consigo me cansar.
Eu posso ouvir que I'm so happy cause today I've found my friends they're in my head para sempre.
Já que eu não posso mais viver isso. I'd like to, but It could'nt work, trading off and taking turns. I regret everything. And I had these friends, you see, who made me felt and I wanted more than I could steal so I've arrested myself, I've worn a shield, I'm going out of my way, but I can prove I still smell that girl who is still myself.



É uma coincidência quase cruel do destino acontecer de eu ler isso justamente agora, quando eu estava olhando umas fotos velhas e tentando me lembrar de como eu me sentia antes. Ficou aquela sensação de nostalgia, mas eu não sei mais se eu sei o porque, sabe? Eu nunca quis me acostumar com as coisas, eu queria sentir dor pelo fim das coisas pra sempre, e sempre me lamentar que nunca vai existir tempo tão bom quanto aquele e por causa disso desistir de qualquer perspectiva de tranquilidade. Mas uma hora a gente se acostuma.
ResponderExcluirE eu realmente acho que nunca vai existir tempo tão feliz quanto aquele. Mas eu não estou mais procurando tempos felizes. Acho que agora eu só quero um tipo de paz constante, contínua e não substancial, se me perguntassem eu não iria querer passar por tudo de novo. Eu só quero arrumar um trabalho que pague por todos os bens dispensáveis que eu não quero - mas que vou comprar pra preencher o vazio -, pagar as contas, declarar o imposto de renda, e, finalmente, ter o direito de ficar velha com uma aposesentadoria moderada pra poder ficar todas as horas do meu dia lembrando de como é ser pequeno, entediado, inconsequente e feliz com os melhores amigos do mundo e não fazer mais nada até morrer.
bonito, digno e saudável. em 2010, não para corrigir o last.fm, mas para colocar as coisas em perspectiva, ouvi compulsivamente os dois primeiros discos do oasis. vi que eles são realmente geniais e foram mais importantes do que eu imaginava.
ResponderExcluir(mas nunca tagueei errado as mp3).
receba aí um abraço, e até mais ver.